Brasil X Alemanha (Parte 2: saúde)

Venho, novamente, com a segunda parte pra comparar as MINHAS impressões (destaco isso porque sei que tem gente que talvez não concorda com tudo que falo haha) do que é diferente entre os dois países.

Saúde. Ponto Brasil. Essa me surpreendeu… antes de sair do Brasil fui em alguns médicos e comentava que queria fazer check up por estar indo pra Alemanha e TODOS elogiaram a Alemanha (ou o que ouviram falar dela).

Eu já sabia, por causa da minha maninha, que remédios não se conseguia na Alemanha sem receita. Então vim munida de dorflex, anti-histamínicos e anticoncepcional.

A primeira vez que precisei ir no médico foi porque eu tive alguma infecção estranha no olho. E aqui não é bem que nem Brasil: “Ah, é olho… vou ligar pro oftalmo!”. Aqui é ir primeiro num médico chamado “Hausarzt” que se fosse traduzir literalmente é médico de casa. Se ele achar que em algum momento tu precisa de algum especialista só então ELE te encaminha. Enfim, minha gastfamilie me apontou pra médica que eu deveria ir e fui. E já que eu estava lá, resolvi pedir se ela não podia fazer um exame de sangue, pra dar um check nos níveis de TSH, pois exames no Brasil tinham mostrado que eu posso a qualquer momento ter problemas com a tireóide e meu cabelo andava caindo muito. Ela disse que pediria o exame, mas que o cabelo podia estar caindo mais por causa do frio.

E não foi minha surpresa que… primeiro: ela só pediu exame do que eu pedi, nem unzinho a mais (vamos lá que no Brasil já iam ter pedido um hemograma completo – o que eu adoro), segundo: a coleta de sangue foi feita ali, na hora. Tem uma técnica no consultório, esperando caso alguém precise de exame e tiram na hora (isso achei ótimo, na verdade) e terceiro: a minha bosta de seguro não cobriu porque considerou que pedi o exame devido a um problema que eu já tinha antes de começar o seguro. E não foi barato gente (então cuidado pessoas que vem com seguro!).

Depois, descobri (porque fiz amigas enfermeiras, lindas e queridas) que na Alemanha meio que é isso mesmo… o médico não pede exame de sangue nem pra quem é alemão (seguro na Alemanha é obrigatório pra todos) sem motivo. Check-up não é considerado motivo. Tipo, gente, oi!!?? Imagina, eu, biomédica, ouvindo um troço desses. Ah! E outra coisa. Eu tive que ligar pra médica e ela me disse “Está tudo ok.” EU nunca nem vi a quantidade de TSH nem nada do exame – outra diferença gigantesca do Brasil, que a gente busca os exames.

E piora a Alemanha no quesito saúde. Na Páscoa, estraguei a minha páscoa e da minha irmã acordando com muitas dores na região da bexiga. Me lembrou, honestamente, de quando tive pedras nos rins. Corremos pro hospital porque eu já tava vomitando de dor. Ok, atendimento foi rápido e tal. Só que: eu pedi se podia falar inglês, porque eu não estava há tanto tempo assim na Alemanha e meu alemão não era bom. O médico (aliás, era lindo. Tava mal, mas impossível não notar hahahaha) disse que não tinha problema. Se não tinha problema, até hoje eu não entendo porque ELE SÓ FALAVA E ME EXPLICAVA TUDO EM ALEMÃO!?!? Ainda bem que minha irmã tava lá e podia me explicar algumas coisas depois. Tipo, eu entenderia se só falassem alemão numa cidadezinha menor e tal.

MAS BERLIN?? Berlin é lotada de estrangeiro, eu ouso dizer que tem mais gente falando inglês naquela cidade que alemão!

E, de novo, gostei que não iam esperar pra sempre pro exame de urina e depois de não muito tempo já queriam fazer punção supra-púbica (pra quem não sabe eles pegam com agulha aí já). No Brasil, quando tive pedra nos rins, demorou HORAS pra eu voltar pra médica porque não conseguia fazer xixi pro exame. Teria facilitado minha vida se tivessem feito a punção. Enfim, depois de muito falarem (em alemão) e eu entender uns 20% fui pra casa sem saber o que tinha. Minha irmã, ainda surpresa falou que nunca viu darem antibióticos e que tinha na minha receita.

Dessa vez (ao contrário de com a Hausartzin) me deram os laudos dos exames pra levar pra casa. Depois de tomar o antibiótico (uma dose, e era líquido), dormi muito (bom, talvez não tanto porque eu precisava mijar a cada 10minutos) e depois de olhar os exames e conversar (consultar quase hahaha) com outras pessoas cheguei a conclusão que o que eu tinha era infecção urinária, mais especificamente da bexiga. E aí que eu fiquei além do confusa. Pra uma infecção me darem SÓ UMA DOSE DE ANTIBIÓTICO? Voltei no hospital depois de alguns dias, porque apesar de MINIMAMENTE melhor, ainda tinha muita dor e ainda ia no banheiro a cada 20min. Me sugeriram um remédio natural. A moral é: fiquei minhas férias de páscoa inteira de cama. E quando voltei pra minha cidadezinha e fui na Hausarztin, na esperança de que me desse algo decente, de novo, os remédios naturais deles (descobri que é uma mania daqui): extrato de cranberry. Uma infecção que podia em 5 dias parar de me incomodar, e em 10 dias me livrar completamente da infecção resultou em quase um mês de infecção e uma recorrência logo em seguida.

O que eu quero dizer, é: eu superentendo controlar antibióticos, sou supercontra dar pra qualquer besteira, mas eu tava com uma infecção muito forte pra me darem só uma dose.

E assim são os médicos na Alemanha. Não vão te dar remédio de verdade, vão te dar algo natural. Não pode bater o sistema, junte-se a ele: comprei um chá que é pra bexiga e rins e não tive mais problemas (que aliás, água daqui tem bastante cálcio, eu tinha bastante dor nos rins no início, não mais depois do chá).

Outra vez que fui na médica, com um problema no joelho que lembrava já ter tido no Brasil e que precisei de fisioterapia (mas isso já não contei com medo de que o seguro não fosse cobrir de novo) e ela disse que não tinha o que fazer (ainda bem que eu lembrava dos exercícios da fisio e os que eu podia fazer sem equipamentos, fiz).

Sabe a única coisa que assusta os médicos aqui e que eles vão te dar uma caralhada de remédio, INCLUSIVE ANTIBIÓTICO -que aí, inclusive, eu sou CONTRA dar? Quanfo tu aparece com sintomas da gripe e fala “Catarro verde”. Aí querem dar antibiótico. Querida, qual tua prova que é bactéria que tá causando e não vírus? Não da antibiótico pra besteira dessa, DA PRA QUANDO AS PESSOAS TÃO QUASE MORRENDO COM TANTA BACTÉRIA NO SISTEMA URINÁRIO.

E sei de outros casos de outras pessoas que também só dão remédio natural e que não pedem exames como deveriam e tudo mais.

(Post gigante, mas isso me deixa louca mesmo. Isso que não falei de outras problemas tipo dentista- só podia ir com dor. Limpeza? Todo mundo, inclusive os alemães tem que pagar uma taxa pra fazer. Sem contar um caso de saúde pública sério na alemanha: o cigarro. Enfim, tem mais diferenças, mas vai ter que vir nas outras partes porque isso já tpa o dobro do tamanho que costumo postar.)

Então minha dica? Não fique doente na Alemanha.

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Hallo aus Berlin (ou: A História da Comida Apimentada)

Depois do drama da mala, dormi muito no dia seguinte. Entretanto, minha irmã não estava muito disposta a me deixar descansar (brinks maninha, só piadinha). Já tinha pego mapas (já que eu não teria internet onde não teria wifi) e informações e pensado lugares para irmos juntas e lugares que eu teria que ir sozinha, porque ela ainda tinha que trabalhar. Depois de acordar e comer (comer é uma parte muito importante, especialmente quando estou na companhia da minha irmãzinha), pedi pra ela decidir entre dois dos meus casacos, ela escolheu o branco, que é lindo e eu amo (mas branco é foda e suja rápido, isso não é relevante pra essa história, só queria comentar). Só que, acho que para aquele dia pode não ter sido a decisão mais sábia, porque meu outro casaco, presente da minha prima querida Pri (obrigada Pri!) era MUITO mais quente. Porque digo isso? Porque MORRI DE FRIO. Tinha horas que a gente fazia pausas e entrava em lugares com calefação porque eu sentia meus pés CONGELANDO, eu inteira congelando. Simplesmente, muito frio (ainda que não estivesse nevando, pra minha decepção). Se não me engano começamos pela famosa Alexa, demos uma passadinha na Primark (BERRO COM TANTAS ROUPAS NERDS, PENA QUE SOU POBRE), DM pra comprar shampoo e outras coisas necessárias… enfim, acho que da pra achar de tudo na Alexanderplatz. Além de já dar pra ver o Weltzeituhr e Fernsehturm. Já pensando em comida de novo (haha), Nat (minha irmã, pra quem não sabe), começa a pensar onde poderíamos comer ali perto. Aí ela comentou de um lugar que tinha levado o pai, mas ele tinha achado a comida muito apimentada.

Aaah eu lembrava do pai falando… de como foi difícil comer de tão apimentado que era. E a Nat nem notando… que só depois de algum tempo ele comentou “Bah, mas é apimentado esse troço aqui, tchê!” e minha irmã ficou tipo “Sério?”, que só comeu porque tava com fome e pra quem faz a conversão euros X reais, não estava a coisa mais barata do mundo…

Pera aí! Deixa eu explicar. Nos fim de semanas (que era quando geralmente estávamos todos juntos) lá na nossa casinha no Roseiral (ou até em restaurantes ou em POA, Roseiral é só o mais frequente) a gente se dividia: maninha e madrasta as loucas da pimenta. Eu e o pai (e meu irmão já foi, mas hoje acho que ele tá em algum lugar no meio dessas duas opções) PIMENTA, MAS QUEIMA TUDO, VOCÊS SÃO TUDO LOUCO DE PÔR PIMENTA!

Acontece que uma vez eu resolvi pôr um pouco de pimenta preta na comida pra experimentar e achei ok. Mas tipo, UM POUCO. Meu pai já achava meu pouco absurdo. Minha irmã se eu colocasse meu pouco numa comida dela, ela nem ia sentir que tinha pimenta. Aí vem a questão: eu e meu pai sentimos se tem uma pitada de pimenta. Minha irmã poderia comer uma pimenta vermelha pura e dizer que tava tudo ok.

Voltando a história.

Como eu já estava acostumada a pimenta preta, que também é um pouco picante, achei que seria melhor que o pai e, comentando isso com minha irmã, lá fomos. Mas JESUS AMADO. Como que as pessoas comem aquilo e sentem o gosto de algo que não seja FOGO NA BOCA? Enfim, bebi muito da minha cerveja, minha irmã riu e ficou preocupada que eu tava passando fome ao mesmo tempo e me deixou beber mais cerveja que ela porque eu precisava. Depois ainda justificou, dizendo que ia ali com amigos e nunca ninguém notou/falou algo sobre estar apimentado, então ela nem se ligou que poderia ser pro pai na época -e eu depois achando que era mais forte pra pimenta que meu pai, ponho a culpa em mim mesma. Essa gente que todas papilas gustativas já se acostumaram com o gosto/sensação da pimenta. Não entendo. Quer dizer, entendo, eu quando sai do Brasil não sentia mais se tinha orégano na comida. Aqui voltei a sentir porque o orégano é… diferente. Não é muito bom. (Obs: na Áustria é um pouco melhor que na Alemanha, mas do Brasil é muito melhor).

Enfim, a história desse dia continua com pontos turísticos e uma livraria maravilhosa, mas essas histórias ficam pra próxima.

Au Pair – Parte 3: Documentos, consulado, burocracia

Família escolhida, frio na barriga, pensamento de: “Agora vai! O mais difícil passou!”. Só que não.

Depois que se acha a família – indico sempre que negar as outras famílias, esclarecer o porquê, mesma coisa que tu quer que façam contigo quando dão uma negativa. Quando eu escrevi os motivos, uma família ainda me escreveu de volta dizendo que com meus motivos eu mostrava que era super-responsável e que ficaram realmente tristes que eu não escolhi eles). É hora de assinar o contrato e correr atrás dos papéis que o consulado pede.

No meu caso, a família mandou escaneado o contrato por e-mail, imprimi e já assinei para garantir. Eles também enviaram ele por correio, pra que eu pudesse assinar o real, além disso, assim teríamos certeza que não teria nenhuma implicância no consulado. Aliás, por correio eles (a Gastfamilie) ainda pagaram a mais por um mais rápido, mas como no Brasil os correios são uma bosta, demorou e eu ainda não tava em casa quando vieram (porque mandaram que eu tinha que assinar quando recebesse) e tive que ir relativamente longe buscar ainda… mas ok né.

Os documentos, no geral, que o consulado pede são bem normais. O problema são os papéis que eles pedem pra preencher. Tem coisas que tu não sabe o que colocar, perguntas que não fazem sentido ou de informações que a gente nem tem. Foi bem caótico, a minha sorte é que meu papito tem uma conhecida no consulado, que ajudou com muitas dúvidas. Além disso, ela arranjou uma entrevista mais cedo que o normal pra mim, se não eu teria que esperar mais tempo. Também, como eu queria ir quase um mês antes do início do contrato de Au Pair, eu tinha mais algumas complicações, mas nada preocupante.

No dia anterior a ida ao consulado revisei mil vezes os documentos e os coloquei na ordem que eles são pedidos no site do consulado (cada um, em cada cidade pede documentos diferentes, então cuidem!) e, como meu alemão não era mil maravilhas, treinei pra entrevista. Eu já estava num nível relativamente alto do alemão, apesar de, na verdade, não conseguir me comunicar muito bem (fora o medo). Meu pai me ajudou, fingindo ser o entrevistador e mal usou a lista de perguntas que eu tinha achado pra nos guiar. Falando em lista de perguntas, aqui vão elas, porque caso vocês não tenham teste comprovando A1, o consulado vai conduzir entrevista em alemão pra ver se vocês tem conhecimentos mínimos. Eu achei várias perguntas na internet, juntei as que são quase a mesma coisa ou muito parecidas pra facilitar. Então lá vai:

  • Wie geht es Ihnen?
  • Haben Sie den Vertrag?
  • Wie heiβen Sie? / Was ist ihr Name?
  • Bitte buchstabieren sie ihren namen.
  • Wie alt sind Sie?
  • Woher kommen Sie?/ Wo sind Sie geboren?
  • Wann sind Sie geboren?
  • Haben Sie  einen Freund?
  • Haben Sie einen Führerschein?
  • Was sagen ihre Freunde über Sie? / Wie würden Sie sich selbst beschreiben?
  • Wo wohnen Sie?
  • Mit wem leben Sie zusammen?
  • Wie heiβen Ihren Eltern?
  • Wie alt sind Sie?
  • Haben Sie Geschwister?
  • Was machen Sie in ihrer Freizeit?
  • Was sind Sie Von Beruf? / Was machen Sie?
  • Wo arbeiten Sie?
  • Haben Sie Erfahrung in der Arbeit mit Kindern?
  • Welche Sprachen sprechen Sie?
  • Welche Länder kennen Sie? / Wo waren Sie schon überall?
  • Sprechen die Gastfamilie Portugiesisch?
  • Was möchten Sie sich in deutschland anschauen? / Was möchten Sie in Deutschland machen?/  Wenn Sie in Deutschland sind, an welche Orte wollen Sie gehen? / Was wissen sie über Deutschland?
  • Wieso möchten Sie nach Deutschland?
  • Wo leben (wohnen) Sie denn da? / Wo werden Sie leben(wohnen)?/In welcher Stadt wohnen Ihre Gasteltern/Familie?
  • Waren Sie schon einmal in Europa/Deutschland?/Sind Sie zum ersten Mal in Deutschland?
  • Wie lange lernen Sie Deutsch? / Seit wann lernen Sie schon Deutsch?
  • Wie lange kennen Sie ihre Gastfamilie?
  • Kennen Sie jemanden in Deutschland auβer ihren Gastfamilie? / Kennen Sie Leuten aus anderen Ländern?
  • Was macht ein Au Pair?
  • Wo haben Sie Deutsch gelernt?
  • Wie viele Kinder hat die Gastfamilie?
  •  Wie viele Erwachsene hat Ihre Gastfamilie?
  • Wo haben Sie die Gastfamilie gefunden/kennen lernen?
  • Hatten Sie bereits Kontakt mit der Familie? / Hatten Sie schon Kontakt mit der Familie?
  • Wie heißt die Gasteltern?/Wie heiße ihre Gastmutter/vater?
  • Was macht Ihre Gastmutter/vater beruflich?
  • Wie alt sind die Kinder?
  • Wie heiβen sie (die Kinder)?
  • Welche Hausarbeiten sollen Sie tun?
  • Woran sind sie in Deutschland interessiert? / Wie sind Ihre interessen bezüglich deutschland? Was interessiert dich an deutschland?
  • Was sollen Sie mit den Kindern tun?
  • Was essen die Kinder zum Frühstück?
  • Wen rufen sie falls im Falle eines Unfalls? / Was würden Sie machen, wenn das Kind sich wehtut?/Wen rufen sie falls die kinder krank werden? / Wen rufen sie im fallen eines notfalles? / Wen rufen Sie im falle eines feuers?
  • Wo können sie lebensmittel kaufen?
  • Wenn Sie in Deutschland sind und Sie würden krank werden, was würden Sie tun? / Wenn Sie in Deutschland sind und Sie würden überfallen werden, was würden Sie tun?
  • Spricht jemand aus Ihrer Familie deutsch?
  • Haben Sie eine email Adresse?

Pra mim não perguntaram quase nada disso porque, apesar de não ter o teste dizendo que eu tinha no mínimo A1, levei todo meu histórico de alemão, que dizia que eu estava no B2. Só me perguntaram onde conheci a Gastfamilie (disse o site), porque eu queria ir pra Alemanha (melhorar meu alemão – aí me elogiaram e disseram que meu alemão já tava bom haha), o que eu queria fazer depois do meu ano de au pair (mestrado) e por causa da minha resposta onde eu queria fazer mestrado (em qualquer país onde eu ache um bom mestrado, não importa se é Alemanha, Espanha, EUA…). Essa última pergunta já tinham me alertado pra não responder que queria continuar na Alemanha depois, porque aí tinha chance de negarem o visto.

Enfim, foi isso. Ainda me informaram que o tempo do visto dependia, na verdade, do estado que seria tudo mandado (no meu caso Schleswig-Holstein), que disseram que era rápido. Não lembro o tempo certo, mas não demorou muito, a minha Gastfamilie disse que receberam uns papéis pra assinar, o que queria dizer que o visto estava em processo na Alemanha e umas duas semanas depois disso, me informaram que meu visto estava no consulado e me deram horário pra ir buscar.

Ah! Outro ponto que acho interessante contar: meu pai falou também pra eu tomar cuidado com o que postava nas redes sociais. E um dia antes de me ligarem dizendo que o visto estava pronto, o Consulado Alemão de Porto Alegre me convidou pra curtir a página do facebook deles.

Post longo, mas assim também foi todo o processo até chegar meu visto – e eu finalmente comprar a passagem e ter minha data de ida pro país dos meus antepassados.

Brasil X Alemanha (parte 1)

Antes de me mudar pra Alemanha, tinha muitas ideias (algumas erradas, outras certas) de como era o país e das suas diferenças com o Brasil. Resolvi escrever sobre as diferenças que EU notei e spoiler alert: a Alemanha não é melhor em tudo. Tem algumas coisas que nosso Brasilzão ganha. E tem outras que simplesmente são – o que quero dizer com isso é que não é nem melhor nem pior.

Quando eu era pequena meus pais brincavam que eu ia trabalhar com banheiros, porque sempre queria ver o banheiro dos lugares (acho que era mais uma piada porque eu precisava ir no banheiro toda hora), então vou começar por eles.

Primeira anormalidade: o interruptor que liga/desliga a luz é do lado de fora do banheiro. QUE? Isso mesmo. Também achei estranho, mas já me acostumei. Segundo: a grande maioria das casas é banheira com chuveiro. Realmente muito poucas que fui era só um box com chuveiro. Se tiver sorte (que nem eu tive, meu banheiro era assim) vai ter uma banheira de um lado e um box com um chuveiro de outro. Mas aí que entra outra questão: o chuveiro. Tem coisas dele que até ok, acho legais, tipo o fato de poder mudar a altura (coloco ele na altura do pescoço quando não quero lavar o cabelo, por exemplo, e aí não preciso me preocupar em molhá-lo). Entretanto, outras coisas são piores: – e isso em todos que usei – eles não são maiores que uma palma e geralmente não tem tanta pressão que nem os nossos. Eu amava um chuveiro gigante e agora tive que me acostumar com esses pequenos. Outra coisa que não me agrada é o fato de ser a gás. Saudades dos elétricos, onde dava pra controlar a temperatura girando aquele trocinho de um lado pro outro. Acho um CAOS achar uma temperatura boa nos a gás, mas ok.

Mudando um pouco de assunto, mas nem tanto, a água aqui tem MUITO cálcio. O que quer dizer: cabelo e pele se tornam mais secos (pro meu cabelo, ouvi relatos que têm cabelos que gostam dessa água), deixei de lavar o cabelo todos os dias, ganhei pontas duplas (meu cabelo sempre foi mara demais pra isso hahaha)… enfim. Uma vantagem da água é que todos lugares que fui até agora dentro da Alemanha a da torneira não só é indicada pra consumo, como também não tem gosto. Porque vamos combinar em muitas cidades brasileiras dizem que pode consumir a água direto da torneira, mas tem um gosto horrível.

Acho que quando a gente tá se mudando pra um lugar, mesmo querendo muito, acabamos achando primeiro as coisas que são piores do que “em casa”, então aí vem mais um: conforto em um geral. Como assim? Não tem muitas opções de compra de travesseiros e os que têm não são muito bons (aproveito pra gritar nesse momento: SAUDADES DO MEU TRAVESSEIRO DA NASA)… as cobertas parecem ser mais curtas/menores que as nossas, o que também não me agradou. Camas estilo box boas são megacaras e por isso meio raro de ver por aí. Uma vantagem, porém, é que as cobertas são em sua grande maioria de solteiro e aí não rola aquela coisa de roubar cobertor do outro no meio da noite porque cada um tem o seu.

Uma coisa que eu amo e não vi por aqui são redes. Era meu lugar favorito pra ler porque não tava nem deitada, nem sentada e aqui não vi nenhuma, ainda que é bem comum ter jardins que seriam perfeitos pra por. Falando em rede, penso em cadeira de praia, outro conforto que na minha cabeça no Brasil todo mundo tem algumas em casa (poxa, são confortáveis, não ocupam muito espaço quando guardadas e se vem visita, é só abrir e deu) e aqui não vi ninguém ter (na Áustria vi só aquelas de deitar, mas isso fica pra outro post).

Ainda no assunto conforto algo que amei aqui é que a maioria das cortinas pro quarto deixam o quarto escuro MESMO. Tipo não é só uma cortininha que tapa um pouco a luz. Se eu fechava minha cortina 100% sem nenhuma fresta, eu não tinha ideia se era dia ou ainda noite quando acordava (por isso acabava deixando um pouquinho aberta, se não, não levantava nunca).

Vou cortando o post por aqui, se não vai ficar gigantesco. Continuarei com as diferenças em um outro post e compararei: saúde, pontualidade, transporte, comida, cachorros e crianças (oi? pois é), entre outros.

Sim, até agora o que postei o Brasil ganha, mas vamos combinar que apesar desses pontos mencionados, a qualidade de vida na Alemanha é MUITO superior.

Hallo aus Berlin (ou: A Importância de Uma Mala Boa)

Antes de contar o momento finalmente, quando vi minha irmã depois de mais de um ano preciso esclarecer algumas outras coisas:

  1. Já em Porto Alegre, quando tava com a mala pronta, poucas horas antes do voo noto que ela está quebrada e tento colar com fita isolante e sei lá mais o que. Pareceu consertar o suficiente – pelo menos cheguei com ela no aeroporto e tava funcionando. (aliás, quem comprou essa mala tinha sido minha mãe há alguns anos atrás quando ela foi pra Itália. A diferença: ela só levou roupas. Eu tava levando de TUDO).
  2. Meu pai e minha madrasta me assustaram horrores dizendo que iam me parar na imigração e que iam me fazer um milhão de perguntas e blá blá. Só que nada. Provavelmente porque passei na imigração em Lisboa e sendo área de Schengen não precisa verificar documentos de novo. E, em Lisboa foi a coisa mais tranquila do mundo.

Enfim, sai do avião esperando imigração e nada. Fui direto pegar a mala e enquanto esperava-a aparecer na esteira, já vi minha irmãzinha querida abanando pra mim do lado de fora (ainda bem porque internet do aeroporto não tava querendo funcionar). Juro que durou uma eternidade pra minha mala aparecer e quando apareceu… estava em pedaços. Digo, a parte de plástico. A alça de plástico mais comprida onde da pra puxar a mala, quebrado.

Botei num dos carrinhos e já expliquei pra minha irmã a situação. Mas ok, ainda dava pra puxar a mala de um jeito meio ruim, mas dava (tinha que puxar pelo trocinho mais baixo, mas melhor que nada). E ainda tinha minha outra malinha pequeninha, sem rodinhas. Enquanto compravamos ja passagem de 1 mês pra mim (não ia passar o mês inteiro, mas era o que valia mais a pena – sempre olhem todas opções de compra pra passagem e vejam o que vale mais a pena!) e o ônibus já estava lá, corremos, conseguimos pegar, maas o euro que eu poderia pegar de volta do carrinho que usei pras malas ficou. Paciência.

Depois do ônibus tinhamos que pegar um U-bahn (trem que geralmente vai UNTER – under – por baixo) e sempre que tinha escada e não elevador: o caos por causa da minha mala, que já tava difícil de levar. Geralmente uma de nós (eu ou minha irmã) descíamos até em baixo a mala pequena pra depois as duas levarem a gigante. A sorte é que encontrei dois meninos simpáticos que em duas escadas nos ajudaram. Até que, quando saio do primeiro U Bahn (porque, sim, pegaríamos outro) puxando a minha mala, noto que tem algo de errado e quando olh pra trás vejo um cara segurando as rodinhas da mala. NÃO. Se já tava difícil antes, imagina agora! Preocupada já pergunto pra minha irmã em que andar ela mora, porque, honestamente não aguentava mais. Ela diz segundo, quando fico feliz ela me fala que na Alemanha o segundo é nosso terceiro (porque o primeiro é tipo terreo e ai vem primeiro, segundo, terceiro…). Fico mais triste.

Tava um frio do cão, especialmente pra mim que vim do calorão do Brasil, mas nem deu pra sentir frio com todo “exercício” que tava fazendo por causa das malas.

Não preciso dizer o alívio que foi chegar no ap da minha irmã (e pior que pra chegar na rua dela ainda tem que subir dois lances de escada – sim! THE HORROR), comer algo (já tava com saudades de quando minha irmã cozinhava pra mim), tomar banho, conversar e capotar na cama, com dores musculares e exaustas por causa da minha mala.

Moral da história: não comprem mala barata no centrão. Paguem mais, mas comprem algo que vá durar, porque aposto que não só teríamos chegado mais rapido no ap da minha irmã, como também não estaríamos doloridas no dia seguinte. (Sem contar o fato de que será necessário comprar uma mala nova. Minha irmãzinha amada me deu a que ela veio porque ela não tem intenção de usar em muito tempo e eu, well, pra ir pra Hamburg em fevereiro já seria uma necessidade quase-imediata).

Essa mala foi uma pedra no meu caminho que não pude desviar, mas tive que carregar/empurrar porque precisava da pedra (ou pelo menos das coisas dentro dela).

AU PAIR – PARTE 2: A PROCURA DA GAST FAMILIE, PARTE 4: Como escolhi a família

Uma das primeiras famílias que me aceitou era de uma mãe solteira com dois meninos. Ela parecia muito simpática, a casa era enorme, o quarto que seria meu era gigantesco, ela estava disposta a pagar aulas de direção pra mim (eu tenho carteira, mas dirigir em outro país…), MAS ela morava no meio do nada.  A cidade mais próxima era a mais de 1h de carro. Já tinha falado com outra menina que já tinha sido Au Pair e ela disse pra eu não pegar algo muito isolado. Além do que, só podendo ir de carro pra outra cidade eu não ia poder sair pra beber uma cervejinha, por exemplo. Pode parecer um motivo bobo pra dizer “não”, mas eu tinha duas outras famílias que já tinham me escolhido e as opções eram muito melhores.

E essa me pegou, por que as duas famílias eram muito boas. Uma era de duas meninas (não lembro mais a idade), numa cidade muito bonita, eu também teria que dirigir, me pagariam curso de alemão, eu teria uma bicicleta, meu próprio banheiro (que eu teria que limpar).

A outra família não pagava curso de alemão, mas morava perto de Hamburg (que é maravilhosa), eu teria meu próprio banheiro também (mas que teria uma empregada que o limpava 1x/semana), eu não precisava dirigir e era pra cuidar de uma menina com 6 anos.

Foi muito difícil decidir, mas acabei escolhendo a da cidade menor, mas perto de Hamburg por dois motivos: só uma criança pra cuidar e por que não ia precisar dirigir. Eu tinha (e ainda tenho) muito receio de o quão diferente seria dirigir em outro lugar, além do que minha experiência já não era das maiores no Brasil mesmo. Outra coisa pra mim que fez eu escolher essa família foi que  me dei muito bem, muito rápido por skype com a família que escolhi.

But the thing is (mas o negócio é que): a gente nunca sabe como realmente uma família vai ser até chegar nela. Hoje me pergunto, às vezes, como teria sido com a outra família. Além disso, conheço Au Pairs que achavam que estavam indo para famílias ótimas e entraram numa baita “fria”.

Ah! Outra coisa que me fez decidir por essa família foi que eles me passaram contato de duas outras Au Pairs que eles tiveram pra eu conversar, o que acho que faz muita diferença do que a outra família, que poderia me dar o contato da Au Pair que estava lá, por exemplo. Por que aí eu tinha certeza que as outras Au Pairs tiveram uma boa experiência. Enfim, vejam o que é vantagem pra vocês, façam uma lista de pró e contras se necessário e, também, sigam os instintos!

Sonhos – e como eles mudam.

Não, não vou falar do tipo de sonho que se tem quando está dormindo. Vou falar daquele outro tipo de sonho, o que a gente faz acordado, do que a gente espera pra nossa vida.

Quando eu era pequena meu sonho era ser médica e um dia eu disse pra minha mãe “Quando tu tiver filhos de novo e eles ficarem doentes, vou atender eles de graça pra ti.” com isso o diálogo seguiu:

“Mas não vou mais ter filhos, Glaucia”

“Porque não, mãe?”

“Por que daí vou estar velha.”

A isso se seguiu eu chorando, dizendo que não queria que minha mãe ficasse velha. Entretanto o sonho de ser médica continuou, com alguns outros, claro. Teve, por exemplo, uma época em que eu queria morar no México (tudo culpa de chiquititas e outras novelas mexicanas), depois mudei de ideia e – por uma quantidade enorme de tempo – queria morar na Inglaterra.

Só que esses sonhos também mudaram. Descobri no ano que estava fazendo de cursinho um curso tal chamado “Biomedicina”, nesse mesmo ano um professor de biologia do cursinho fez uma palestra extra (fora das aulas normais) sobre o HIV. Eu já tinha uma ideia que queria ser médica ou pra pediatria ou porque queria descobrir a cura pra alguma coisa (ou os dois ao mesmo tempo). Naquele palestra, que me lembro de muita coisa até hoje, vi que o que eu queria era trabalhar com o HIV. Descobrir uma cura. E foi aí que descobri, então, que não. Não era medicina mais que eu queria. Era biomedicina pra entrar na pesquisa.

Claro que como sou uma mula teimosa (sim, estou consciente desse fato) não queria admitir que meu sonho desde minha infância tinha mudado, então continuava falando que queria medicina, mas me inscrevi no vestibular pra biomedicina. No ENEM, depois, só me inscrevi pra biomedicina. E, finalmente, nos primeiros dias, quanto mais eu aprendia sobre o curso mais eu via que foi a mudança perfeita de sonho.

Outro sonho que sempre tive foi de viajar, então sempre tinha na cabeça que depois de terminar a faculdade, mesmo se me oferecessem um emprego muito bom eu não iria aceitar porque estaria na hora de viajar. Não sabia como. Não sabia se ia tirar todo meu dinheiro da poupança e fazer um mochilão (hoje posso rir dessa ideia, o dinheiro q tenho na poupança eu não ia conseguir fazer um mochilão muito decente), se ia procurar mestrado direto ou o que. Meu sonho era minha primeira viagem de avião ser pra Inglaterra. Acabou sendo pra São Paulo em um congresso.

Meu sonho era, então, depois da faculdade ir pra Inglaterra. Au Pair lá não rolava, já tinha decidido (como conto nesse post) ir desse modo, Inglaterra saiu da UE, o que me deixou braba com os ingleses, então decidi Alemanha. Melhorar alemão, visitar a terra dos meus antepassados. Cada vez mais, nos próximos meses, meu último da faculdade (que, aliás, sonhava em fazer meu TCC com HIV, mas não rolou – fiz um estágio com genética e HIV, mas queria trabalhar com o vírus mesmo pra ter habilitação em virologia e isso não dava, então…) sonhava mais com Alemanha e menos com a Inglaterra até que um dia eu notei. Meu sonho tinha mudado de novo. Não sonhava mais em morar na Inglaterra. Agora meu sonho era Alemanha (sonho que só anda aumentando estando aqui. Agora sonho com Hamburg, que simplesmente me apaixonei).

Enfim, contei das minhas milhões de mudanças pra mostrar o quanto a gente pode mudar o que pensa. Se tivesse no meu sonho de criança, eu seria uma médica morando no México. Meu sonho de adolescente uma médica na Inglaterra. Meu sonho depois dos 20: mestrado na Inglaterra. Meu sonho a partir do ano passado: mestrado na Alemanha.

Acho que é bom mudar pra irmos nos adaptando ao que a vida nos ensina e também para nos adaptarmos às nossas próprias expectativas. E sempre lutar pelo que sonhamos, fazermos o máximo para realizá-los. Porque mesmo que eles mudem em uma semana – o que mostra que crescemos, de algum jeito – pelo menos sabemos que fizemos algo pra nos deixar mais próximos do que queremos – como se fosse um presente pra nós mesmos. Afinal, se nós mudamos, nossos sonhos tem que se adaptar às nossas mudanças.

Olá Lisboa! Tchau Lisboa!

Subi no Elétrico 28 para a minha primeira aventura na Europa. Ele passa por diversos lugares bonitos e enquanto eu fazia esse mini passeio três coisas se passavam na minha cabeça:

  1. Não acredito que to na Europa.
  2. To morrendo de fome e sede.
  3. Huh. Isso não é tão diferente do Brasil. Hm… Como o Brasil tem potencial!

 

Isso mesmo. Achei muita coisa parecida. Tudo bem, fomos colonizados por eles, é natural que tenhamos semelhanças. Mas isso me mostrou que teríamos tanto potencial para ser maravilhosos também… Ruas limpas, bem cuidadas, principalmente os pontos turísticos. Não estou dizendo que era perfeita. Pude ver pichações também, mas não nos lugares bonitos da cidade. Não por toda cidade. Estava imensamente feliz, mas também um pouco triste por nós, brasileiros.

Não vou poder citar o nome dos lugares que vi com o bondinho porque ele não tem guia nem nada. Mas não me importei de não saber, era ótimo simplesmente estar vendo lugares lindos! No fim da linha tinha uma “barraquinha” que vendia água e comida. Estava faminta e com sede. Maas não gostei da aparência de nada que tinha lá para comer, então peguei só uma água (1€) e peguei o bondinho de volta. O bondinho vai relativamente rápido e acho que mesmo se ele não passasse pela parte mais antiga de Lisboa ainda assim valeria a pena dar uma volta just for the hell of it.

Resolvi descer em outro lugar ao que subi pra explorar eee claro que depois nem com o mapa me achei mais. Mas todo mundo falava português, então tranquilo (hahahah). Logo me achei e resolvi voltar com o mesmo ônibus que tinha vindo mesmo por questões de saber o caminho e onde teria que descer, etc. Na verdade, eu tinha planos de visitar outros lugares em Lisboa, mas meu pai me deixou tãão atucanada que acabei voltando pro aeroporto 1 hora mais cedo do que planejava (se sua conexão é de 7h dá tempo de pegar um bondinho, se perder, se achar e fazer mais alguma coisa e só então voltar pro aeroporto, fica a dica haha). No ônibus descobri que aquele bilhete de 3,50€ que comprei na ida também valia para volta (desde que seja no mesmo dia, então de novo: fica a dica). No ônibus só eu e um bando de alemães (que assumi que estavam indo pro aeroporto pro mesmo voo que eu)

No aeroporto, com tempo ainda de sobra resolvi finalmente comer algo, apesar dos preços. Procurei, olhei e vi algo amarelhinho que me lembrava uma empada, mas ainda assim diferente e estava escrito na legenda “QUEIJADINHA”. Oba! Amo queijo! Vai ser isso mesmo! Assim que peguei a dita cuja na mão já achei estranho estar gelada. Não gelada temperatura ambiente, mas gelada tipo saiu da geladeira. Dei uma mordida desconfiada…. WTF!? ERA DOCE! Ok, então queijadinha em portugal é doce…??? Mas queijo é salgado!! O QUE VOCÊS FIZERAM COM MEU QUEIJO, PORTUGAS?? Enfim, comi igual porque estava faminta. E não é ruim, só realmente queria algo salgado e quente naquele momento e fiquei muito decepcionada.

Mais umas duas horas de espera no aeroporto, que não foram de todo ruins porque pude carregar meu telefone e com o wi-fi do aeroporto bater um papinho com familiares e amigos e dizer que estava tudo bem (e ouvir ler um UFA! do pai por ter voltado mais cedo pro aeroporto).

Subi no avião, então para meu destino final: Alemanha, Berlin, maninha querida!

P.S.: melhor voo foi POA-SP não por ser o que durou menos, mas o avião era melhor mesmo. Tipo, esse Lisboa-Berlin o voo durava menos e nem TV tinha… POA-SP tinha. Estamos na frente quando assunto é conforto no voo galera! Pelo menos se forem de Azul, que nem eu fui. Batata deles é tri boa! hahaha

AU PAIR – PARTE 2: A PROCURA DA GAST FAMILIE – PARTE 3: MANTENDO OS CONTATOS

Depois daquela primeira resposta positiva da família ou mesmo se a família que entrou primeiro em contato comigo, eles vem e te fazem algumas perguntas. Dentre as mais frequentes:

“Porque tu quer ser Au Pair?”

“Que papel quer desempenhar na família?” (nesse caso sempre respondia que queria ser como uma irmã mais velha para as crianças)

“Nas horas livres vai preferir fazer tuas próprias coisas ou passar mais tempo conosco?” (falava que um pouco dos dois, que dependeria do dia, o que é verdade. Como já disse em outro post, gosto de ficar sozinha às vezes. Mas o convívio com a família também é bom, especialmente pra ouvir e aprender mais a língua.)

“Está disposta a fazer pequenos trabalhos na casa, como passar aspirador?”

“Que tipo de brincadeiras tu gosta de fazer com as crianças?”

“Se tem um dia ensolarado, o que tu vai fazer pra distrair as crianças? E em dia de chuva?”

Enfim, dependendo da família poderia ter outras perguntas e, eles sempre perguntavam se eu tinha alguma pergunta de volta. Sugiro que sempre pensem em algo. Se no perfil não tiver a rotina do dia a dia na família, sugiro que seja essa a pergunta, por exemplo. E aí, dependendo de como as coisas andarem, vão pedir pra falar contigo por skype (onde, então entra o problema do fuso horário… – o que pra mim era gigante por causa do meu estágio… e sempre ia direto do lab do estágio, pro lab do TCC e quando estava de volta em casa já era madrugada pra eles. Então marquei alguns nos FDS, outros pedia pra sair mais cedo do estágio – e como as meninas eram maravilhosas e acompanharam toda minha procura por famílias, sempre entendiam e deixavam eu sair um pouco mais cedo.).

Depois de marcada a hora por Skype (por isso é bom ter uma conta), esperem para ver. Geralmente os alemães são muito pontuais, então vejam como é no país que estão tentando. Pelo fato dos alemães serem pontuais, se eles não entrassem em contato até o horário estipulado, eu acabaria ligando uns 15 minutos depois.

Minha primeira conversa no skype não foi das melhores porque tava na casa da minha vó e dinda e por isso, mais uma sugestão: tentem estar sozinhos ou pedir privacidade em casa, porque nenhuma das famílias que conversei e algum parente se meteu no meio me pediram pra ser Au Pair deles mais tarde. A primeira família que eu falei, eu que liguei, a Gastmutter foi supersimpática, disse que eu parecia mais alemã que ela, mas eu estava realmente nervosa, sendo a primeira família e tudo mais. E minha priminha meio que falava no meio da conversa. E depois minha vó apareceu e tentou falar alemão com a Gastmutter (que entendeu minha vó, mas minha vó não entendeu ela aahhaha alemão do interior…). Acho que talvez isso passou pra eles que eu ia ficar muito “homesick”. Também pode ter sido outro motivo, mas no dia seguinte a esse contato, recebi uma mensagem dizendo “Sinto muito, mas tu não é a Au Pair certa pra nós, mas temos certeza que vai encontrar uma ótima Gastfamilie! Boa sorte!”

Depois disso tive mais uma série de contatos por skype, mas com as 3 famílias que me escolheram, conversei mais que uma vez por skype. Mas sobre essas conversas e como escolhi entre as 3, conto mais tarde.

Discurso do orador da minha formatura

Planejava escrever um texto sobre sonhos e como eles mudam há algum tempo já. Não sei dizer exatamente desde quando, mas um dia notei como meus sonhos naquele dia eram completamente diferentes dos sonhos que eu tinha há somente um ano atrás. E algumas semanas depois estava falando sobre isso com minha irmã e me veio a ideia do texto. Anotei a ideia, mas deixei-a ali, descansado. Quando não é minha surpresa, na minha formatura, meu colega querido, André Borba, orador da turma, no seu discurso fala exatamente sobre isso (e mil outras coisas). Nesse post vou colocar o discurso de formatura dele e, em outro momento, colocarei mais ou menos o que eu já tinha pensado em escrever (mas honestamente, muito do que ele falou era exatamente o que eu planejava escrever).

So, here it goes -cortei o início pra ir ao que interessa e o fim porque era só obrigado pela atenção e boa noite:

 

“Sabe… muitas coisas não acontecem do jeito que a gente planeja. Pessoas entram e saem das nossas vidas, por bem ou por mal; imprevistos acontecem; chances aparecem; planos mudam; a vida acontece. Esse curso de Biomedicina e essa noite de hoje são os exemplos mais MARAVILHOSOS que eu tenho disso. E por quê?

Aos que não me conhecem aqui, boa noite, eu sou o André. Essa turma que se forma hoje, a 2016, não era minha turma original. Eu sou do bando das atrasadas dos idos de 2014. De fato, se tudo tivesse saído como eu havia planejado, há SEIS anos atrás, eu não teria conhecido quase ninguém dessas pessoas maravilhosas que dividem esse palco comigo hoje. Eu e meus planos estaríamos entrando no doutorado – no exterior, de preferência -, já com alguns artigos publicados e sendo disputado para lecionar e pesquisar em universidades por esse mundo afora. Ah! Quanta ingenuidade. Mas, como eu disse, planos mudam – e ainda bem que mudam; a vida acontece e ela não tá nem aí pra carreira dos nossos sonhos ou pro nosso suposto futuro brilhante. Mas ela, a vida, tem um jeito misterioso e extraordinário de torcer nossas expectativas, virar elas do avesso e jogar elas de volta na nossa cara. E… sabem de uma coisa? Às vezes isso acaba sendo infinitamente melhor do que tudo aquilo que achávamos que queríamos.

O dia em que fui escolhido para ser orador, eu fiquei infinitamente lisonjeado; justamente por esta não ser minha turma original. Mas, como percebi um tempo atrás, isso não quer dizer que esta não seja minha turma também.

Tenho aprendido ao longo desta minha – até agora – curta vida, que orgulho, o orgulho de verdade, não é algo que vem fácil. E, meus caros colegas, se me permitem dizer algo, não é de hoje que vocês, que nós, me enchem de orgulho. Eu não vou fingir, só por estar neste púlpito, que sei qualquer coisa dessa vida a mais que vocês, que possuo alguma sapiência superior que me torna capaz de vos aconselhar a qualquer coisa. A verdade é que eu não tenho certezas, que eu não sei de nada. Eu posso estar redondamente enganado em tudo o que eu disser aqui hoje, mas vamos fingir, por um momento, que eu sei do que eu estou falando, que eu sei algo de alguma coisa. E, nesse tom, eu não consigo deixar de me sentir a tiazona da turma – cadê a Neidi? Neidi, eu sei que esse título é teu, só teu, tô meramente me inspirando em ti – eu não consigo deixar de me sentir a tiazona da turma ao dizer: vocês me TRANSBORDAM de orgulho, e espero que vocês se transbordem também.

Vocês lembram de quando a decisão mais difícil que a gente tinha era escolher entre pega-pega e esconde-esconde no recreio? Era brincar de casinha ou de médico? Era decidir se assistiríamos à Caverna do Dragão, à DragonBall ou ao Sítio do Pica-Pau Amarelo? Lembram de quando a nossa manha era pra poder brincar de bola até mais tarde ou ficar jogando vídeo-game a noite toda? Ou quando os assuntos mais importantes eram ‘quem o Fulaninho beijou na festa passada?’ Vocês lembram?

Olhem para si mesmos agora, todos bonitos, bonitas de toga, arrumadas e arumados. Quem diria, hein? Quem te viu, quem te vê!

Mas voltando… agora a decisão não é mais esconde-esconde ou pega-pega. Não, senhoras. Agora a gente escolhe qual mestrado fazer, SE quiser fazer mestrado; escolhe onde deixar currículo; decide onde ir morar; quais contas dar preferência em cada mês; a gente escolhe tupperware ou se vale mesmo a pena aquela comprinha na amazon… é, galerinha, a brincadeira acabou. Agora… agora é aluguel, é boleto, é parcela, é INSS, é conta pra pagar, são planos pra fazer, reuniões pra agendar, e-mails pra responder, fila pra pegar.

Esse diploma não parece mais tão bom, não é?

Não sou uma pessoa de criar expectativas. Inclusive, gosto de pensar – deveras simplesmente – que a ausência de expectativas se iguala à ausência de frustrações, especialmente quando são expectativas infundadas. Mas nós não somos infundados. E eu espero algo brilhante de cada um de vocês aqui. De fato, tenho certeza que daqui algum tempo estarei usando alguns nomes daqui como referência. Vocês são espetaculares, nós somos espetaculares.

Eu sei que até agora eu falei do quanto orgulho eu tenho dessa turma e que nós deveríamos nos orgulhar de nós mesmos. Porém, humildade é tão importante quanto. Talvez um dos nossos maiores desafios seja achar aquele doce balanço entre humildade e orgulho. Humildade demais vira vergonha. NUNCA, e eu enfatizo: NUNCA sintam vergonha por ser que vocês são, de ser quem somos. Humildade à parte, a gente é bom demais pra isso.

Entretanto… Orgulho demais vira soberba.

Então, não sejam apenas o tipo de referência que eu posso citar em um trabalho acadêmico. Sejam mais que isso. Sejam aquele professor e aquela professora que recebe os alunos na sua sala, que os ouve. Sejam aqueles profissionais que se preocupam com a pessoa por trás de um tubo de sangue, de um prontuário eletrônico, de uma seringa qualquer. Sejam aquela orientadora e aquele orientador que sentam com os seus alunos e discutem e que se importam de verdade. Não sejam somente as suas publicações, suas cadeiras na faculdade, seus índices Hs. Sejam para os outros a referência que vocês já são para mim. Sejam vocês mesmos, por mais difícil que isso possa ser às vezes.

Meus colegas, sejamos sinceros agora: muitos de vocês eu provavelmente não verei de novo depois de hoje ou perderemos contato com o passar dos anos. E isso não é bom, também não precisa ser ruim, somente é. É como a vida acontece: caminhos se bifurcam e levam a lugares diferentes. Mas não duvidem, meus caros colegas, nem por um segundo, que eu desejo algo além de sucesso e felicidade para vocês, para nós, da forma que eles vierem. E sucesso é só UMA das coisas que sairão desta fornada de novos desempregados de hoje, eu tenho a mais absoluta certeza. Porém eu também desejo que todo esse sucesso não seja NUNCA o suficiente para tirar o brilho dos seus olhos, esse mesmo brilho que resplandece com tanta força hoje. Além de sucesso, eu desejo sempre que nós possamos olhar a vida com a empolgação de uma criança que descobre as coisas pela primeira vez, com a paixão de aprender cada vez mais. Esse é o brilho que eu imploro a vocês que nunca percam.

Lembrem de hoje, lembrem dessa graduação, lembrem dos momentos mais felizes e mais aterrorizantes que já passamos aqui. Lembrem com todo o espírito de vocês, até quando lembrar não seja mais possível. Lembrem das risadas, das aulas de ressaca, dos trabalhos nunca entregues, dos seminários intermináveis, das pescadas de sono, das notas injustas, das avaliações impensadas, das lutas vencidas e das lutas perdidas, dos abraços, das brigas, dos conselhos, dos sustos, dos choros, dos momentos de solidão e daqueles momentos em que o ÚNICO conforto possível estava no ombro de um querido amigo. Lembrem de tudo isso, pois, mais do que QUALQUER outra coisa, mais do que uma coordenação de curso, mais do que professores ótimos ou horríveis, mais do que trabalhos enormes, mais do que noites viradas, mais do que livros lidos, mais do que monografias escritas, mais do que artigos publicados, lembrem desses momentos. Pois, mais do que qualquer outra coisa, são ELES que formam os profissionais aqui, hoje. Meus caros, que nunca deixemos um pedaço de papel enrolado nos dar a parca ilusão de que somos melhores do que qualquer outra pessoa.

Uma última vez, peço que olhemos para nós mesmos de novo. O mundo está a nossa frente, dizendo, clamando, berrando a todo o pulmão “venha, me explore!”. Vejam as portas deste salão como as portas do resto de suas vidas, portas de mogno, portas de mármore, portas grandes, pesadas e imponentes que não mais se abrem numa tímida fresta, deixando entrepassar um lusco-fusco do mundo lá fora. Não! Agora essas portas estão ESCANCARADAS com os ventos do novo mundo. Respirem com vontade, deixem esse vento bater na sua cara, soprar por seus cabelos. Batam no peito com todo o vigor da juventude que ainda nos resta, icem velas, naveguem por águas escuras. É chegada a hora de ficarmos de pé com as nossas próprias pernas, de caminharmos com os nossos próprios pés. É sempre bom ter um porto seguro, mas não deixem que esse porto os impeça de naufragar, se naufragar for preciso. Não esperem que a felicidade lhes seja entregue numa bandeja dourada. A felicidade está na lama, está nos calos dos dedos, está na sujeira por debaixo das unhas. Deixo aqui meu desejo de que possamos forjar a nossa felicidade, e que esse diploma que recebemos hoje possa ser a nossa bigorna, a nossa foice e o nosso martelo. O resto… Tenham certeza, o resto virá.

Me despeço com uma simples mensagem:

Esta noite É nossa!

Pra quem achou que a gente tinha terminado, meu bem, a gente ta só começando.”