Melhor companhia do mundo

Sempre que conto que estou indo para a Alemanha várias pessoas me perguntam como vou conseguir deixar para trás familiares e amigos.

Nunca sei direito o que responder e acabo falando algo coisa generalizado.

Mas a verdade é que não estou deixando ninguém. Quem acha que eu estou é porque então ela mesma já me abandonou.

Como assim?

Simplesmente assim: tem muita gente que eu amo que não vejo há muito tempo não porque eu não estava disponível, mas porque a pessoa não estava. E não é uma vez. E não é só em eventos que não importam. Mas é também em eventos como minha própria formatura ou despedida.

Todos têm sua própria vida e compromissos e eu entendo isso. Mas peço que entendam também que agora minha própria vida e objetivos estarão em outro continente.

Eu nunca tive problema em passar tempo comigo mesma. Adoro minha própria companhia. Entretanto me acho fazendo muitas coisas que queria fazer com amigos ou família sozinha também. Simplesmente pela falta de disponibilidade das pessoas. O que quero dizer é: honestamente, todos vão sentir menos minha falta do que imaginam. Já não passamos muito tempo juntos, não sou alguém que vocês fazem tudo junto… simplesmente vai parecer que nos momentos que vocês queriam que eu estivesse por perto eu tenho outro compromisso. Como vocês tantas vezes tiveram outro compromisso.

A verdade é que não estou abandonando ninguém, porque de certa forma já fui abandonada. Não vou sentir saudades das pessoas daqui lá na Alemanha, porque já não as tenho aqui. Já sinto saudades estando no mesmo país e estado que elas.

Mas aí vem outra questão: como ser feliz sozinha?

Acredito que cada um tenha que achar isso em si mesmo. Hoje, por exemplo, fui no evento TeJoga aqui em POA, no qual tinha um toboágua gigante. Fui sozinha. Me senti sozinha a caminho de lá, me senti isolada na fila… mas no momento que eu escorreguei era só eu e a emoção de descer  no toboágua. Na saída já me senti sozinha novamente, até que voltando pra casa começou a chover – e eu AMO chuva – e me senti feliz, tomando banho de chuva, sozinha.

Não sei se sou eu a estranha. Já ouvi gente dizer que eu tenho sorte de ser assim.

Honestamente não tenho medo de ir embora e ficar sozinha porque já sei que a melhor companhia do mundo vai estar sempre comigo: eu mesma.

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